
Tuesday, 14 October 2008
Friday, 3 October 2008
Blaise Cendrars - Rum
"Je dédie cette vie aventureuse de Jean Galmot aux jeunes gens d'aujourd'hui, fatigués de la littérature, pour leur prouver qu'un roman peut aussi être un acte."
Ou seja:
"Dedico esta vida aventurosa de Jean Galmot aos jovens de hoje cansados de literetura para lhes provar que um romance também pode ser um acto"
E assim me atirei para cima da cama e o tenho lido capítulo a capítulo.
Sobre Blaise Cendrars:
Blaise Cendrars (inglês)
Promenores dos anos 20 e 30 na vida de Blaise Cendrars (francês)
Sobre Rum
Rhum - L'aventure de Jean Galmot est un ouvrage de Blaise Cendrars (1887-1961) en 1930.
Rhum est une vie romancée de Jean Galmot (1879-1928), homme d'affaires à la réputation sulfureuse. Devenu député de Guyane, il est accusé de spéculation dans "l'affaire des rhums" qui éclate en 1919. Au cours du procès dont il fait l'objet en 1923, Galmot se présente comme un entrepreneur généreux en butte aux manœuvres hostiles des grands groupes financiers du monde parisien tout en proclamant son amour du peuple guyanais, dont il jure de défendre la liberté jusqu'à la mort. Il est condamné à un an de prison avec sursis. En 1928, Galmot se présente à nouveau aux élections guyanaises qui provoquent des émeutes. Il meurt subitement, dans des conditions controversées. A-t-il été empoisonné ? Rhum, écrit en 1930, s'achève sur cette incertitude. Le procès des émeutiers de Cayenne aura lieu quatre ans plus tard en présence de Cendrars et il se conclura par un acquittement général.
Cendrars a dédié "cette vie secrète de Jean Galmot aux jeunes gens d'aujourd'hui fatigués de la littérature pour leur prouver qu'un roman peut aussi être un acte". Dressant le portrait d'un homme idéaliste et comme lui épris de liberté, il le compare à Don Quichotte. La réalité du personnage était sans doute plus complexe. Historiquement, Galmot aura été un des grands défenseurs de la cause noire, aux côtés de Marcus Garvey.
Avant Rhum, la figure fascinante de Galmot a inspiré deux récits de Louis Chadourne (1890-1925), qui fut son secrétaire, Terre de Chanan (1921) et Le Pot au noir (1922).
(texto retirado da wikipedia francesa )
Saturday, 20 September 2008
Jorge Luis Borges - El libro de los seres imaginarios
Jorge Luis Borges
Introdução:
por Ilídio J.B. Vasco
Em Borges, encontramos a matriz do Fantástico (apesar de não nos esquecermos de Juan Rulfo e do seu Pedro Páramo), que ajudou a construir o edifício de uma ficção hispano-americana de onde brotaram autores como Carlos Fuentes, Julio Cortázar, Garcia Márquez e dezenas de outros que constituíram o chamado boom sul-americano. São poemas, contos, novelas e ensaios recheados não só do brilho da criação literária, mas da sabedoria de que só são capazes os grandes escritores.
Podemos entrever enigmas e até esquecer a pretensão de um título como História da Eternidade, envolvermo-nos no inesperado da Historia Universal da Infâmia, ou na fantasia de o Relatório de Brodie, até chegarmos, às conferências de Sete noites, onde a linguagem, o fantástico e o mais profundo se entrelaçam num único corpo.
Jorge Luís Borges difere da maioria dos seus parceiros, escritores hispano-americanos, em muitos pontos, e não só pela sua formação britânica, mas também pelo carácter mais universalista da sua obra, posicionamento político, etc. Também no tipo de Fantástico que desenvolveu, talvez pela sua particularidade fisíca (a cegueira), Borges diferenciou-se, e o facto reflectiu-se em alguns momentos da sua obra. Isso explica talvez a fixação por alguns temas como a Biblioteca ou o Livro, os Espelhos, os Labirintos, o Tempo a ponto de torná-los locais e objectos especialíssimos.
Borges faz parte da galeria maior dos escritores do século XX, através de um género curto de ficção revela ensinamentos filosóficos. Tornou-se, por isso, um autor que deslumbra
El libro de los seres imaginarios
Ilustrações e tradução para inglês
A diferencia de otros animales fantásticos, el caballo del mar no ha sido elaborado por combinación de elementos heterogéneos; no es otra cosa que un caballo salvaje cuya habitación es el mar y que sólo pisa la tierra cuando la brisa le trae el olor de las yeguas, en las noches sin luna. En una isla indeterminada —acaso Borneo— los pastores manean en la costa las mejores yeguas del rey y se ocultan en cámaras subterráneas; Simbad vio el potro que salía del mar y lo vio saltar sobre la hembra y oyó su grito.
La redacción definitiva del Libro de las Mil y Una Noches data, según Burton, del siglo XIII; en el siglo XIII nació y murió el cosmógrafo Al-Qazwiní que, en su tratado Maravillas de las Criaturas, escribió estas palabras: «El caballo marino es como el caballo terrestre, pero las crines y la cola son más crecidas y el color más lustroso y el vaso está partido como el de los bueyes salvajes y la alzada es menor que la del caballo terrestre y algo mayor que la del asno». Observa que el cruzamiento de la especie marina y de la terrestre da hermosísimas crías y menciona un potrillo de pelo oscuro, «con manchas blancas como piezas de plata».
Wang Tai-hai, viajero del siglo xviii, escribe en la Miscelánea China:
El caballo marino suele aparecer en las costas en busca de la hembra; a veces lo apresan. El pelaje es negro y lustroso; la cola es larga y barre el suelo; en tierra firme anda como los otros caballos, es muy dócil y puede recorrer en un día centenares de millas. Conviene no bañarlo en el río, pues en cuanto ve el agua recobra su antigua naturaleza y se aleja nadando.
Los etnólogos han buscado el origen de esta ficción islámica en la ficción grecolatina del viento que fecunda las yeguas. En el libro tercero de las Geórgicas, Virgilio ha versificado esta creencia. Más rigurosa es la exposición de Plinio (viii, 67): «Nadie ignora que en Lusitania, en las cercanías de Olisipo (Lisboa) y de las márgenes del Tajo, las yeguas vuelven la cara al viento occidental y quedan fecundadas por él; los potros engendrados así resultan de admirable ligereza, pero mueren antes de cumplir los tres años».
El historiador Justino ha conjeturado que la hipérbole hijos del viento, aplicada a caballos muy veloces, originó esta fábula.
Friday, 19 September 2008
Monday, 15 September 2008
continuação do conto ...
Friday, 12 September 2008
O ex-mágico da taberna Minhota
Inclina, Senhor, o teu ouvido, e ouve-me; porque eu sou desvalido e pobre. (Salmos. LXXXV, I)
Hoje sou funcionário público e este não é o meu desconsolo maior.Na verdade, eu não estava preparado para o sofrimento. Todo homem, ao atingir certa idade, pode perfeitamente enfrentar a avalanche do tédio e da amargura, pois desde a meninice acostumou-se às vicissitudes, através de um processo lento e gradativo de dissabores.Tal não aconteceu comigo. Fui atirado à vida sem pais, infância ou juventude.Um dia dei com os meus cabelos ligeiramente grisalhos, no espelho da Taberna Minhota. A descoberta não me espantou e tampouco me surpreendi ao retirar do bolso o dono do restaurante. Ele sim, perplexo, me perguntou como podia ter feito aquilo.O que poderia responder, nessa situação, uma pessoa que não encontrava a menor explicação para sua presença no mundo? Disse-lhe que estava cansado. Nascera cansado e entediado.Sem meditar na resposta, ou fazer outras perguntas, ofereceu-me emprego e passei daquele momento em diante a divertir a freguesia da casa com os meus passes mágicos.O homem, entretanto, não gostou da minha prática de oferecer aos espectadores almoços gratuitos, que eu extraía misteriosamente de dentro do paletó. Considerando não ser dos melhores negócios aumentar o número de fregueses sem o conseqüente acréscimo nos lucros, apresentou-me ao empresário do Circo-Parque Andaluz, que, posto a par das minhas habilidades, propôs contratar-me. Antes, porém, aconselhou-o que se prevenisse contra os meus truques, pois ninguém estranharia se me ocorresse a idéia de distribuir ingressos graciosos para os espetáculos.Contrariando as previsões pessimistas do primeiro patrão, o meu comportamento foi exemplar. As minhas apresentações em público não só empolgaram multidões como deram fabulosos lucros aos donos da companhia.A platéia, em geral, me recebia com frieza, talvez por não me exibir de casaca e cartola. Mas quando, sem querer, começava a extrair do chapéu coelhos, cobras, lagartos, os assistentes vibravam. Sobretudo no último número, em que eu fazia surgir, por entre os dedos, um jacaré. Em seguida, comprimindo o animal pelas extremidades, transformava-o numa sanfona. E encerrava o espetáculo tocando o Hino Nacional da Cochinchina. Os aplausos estrugiam de todos os lados, sob o meu olhar distante.O gerente do circo, a me espreitar de longe, danava-se com a minha indiferença pelas palmas da assistência. Notadamente se elas partiam das criancinhas que me iam aplaudir nas matinês de domingo. Por que me emocionar, se não me causavam pena aqueles rostos inocentes, destinados a passar pelos sofrimentos que acompanham o amadurecimento do homem? Muito menos me ocorria odiá-las por terem tudo que ambicionei e não tive: um nascimento e um passado.Com o crescimento da popularidade a minha vida tornou-se insuportável.Às vezes, sentado em algum café, a olhar cismativamente o povo desfilando na calçada, arrancava do bolso pombos, gaivotas, maritacas. As pessoas que se encontravam nas imediações, julgando intencional o meu gesto, rompiam em estridentes gargalhadas. Eu olhava melancólico para o chão e resmungava contra o mundo e os pássaros.Se, distraído, abria as mãos, delas escorregavam esquisitos objetos. A ponto de me surpreender, certa vez, puxando da manga da camisa uma figura, depois outra. Por fim, estava rodeado de figuras estranhas, sem saber que destino lhes dar.Nada fazia. Olhava para os lados e implorava com os olhos por um socorro que não poderia vir de parte alguma.Situação cruciante.Quase sempre, ao tirar o lenço para assoar o nariz, provocava o assombro dos que estavam próximos, sacando um lençol do bolso. Se mexia na gola do paletó, logo aparecia um urubu. Em outras ocasiões, indo amarrar o cordão do sapato, das minhas calças deslizavam cobras. Mulheres e crianças gritavam. Vinham guardas, ajuntavam-se curiosos, um escândalo. Tinha de comparecer à delegacia e ouvir pacientemente da autoridade policial ser proibido soltar serpentes nas vias públicas.Não protestava. Tímido e humilde mencionava a minha condição de mágico, reafirmando o propósito de não molestar ninguém.Também, à noite, em meio a um sono tranqüilo, costumava acordar sobressaltado: era um pássaro ruidoso que batera as asas ao sair do meu ouvido.Numa dessas vezes, irritado, disposto a nunca mais fazer mágicas, mutilei as mãos. Não adiantou. Ao primeiro movimento que fiz, elas reapareceram novas e perfeitas nas pontas dos tocos de braço. Acontecimento de desesperar qualquer pessoa, principalmente um mágico enfastiado do ofício.Urgia encontrar solução para o meu desespero. Pensando bem, concluí que somente a morte poria termo ao meu desconsolo.Firme no propósito, tirei dos bolsos uma dúzia de leões e, cruzando os braços, aguardei o momento em que seria devorado por eles. Nenhum mal me fizeram. Rodearam-me, farejaram minhas roupas, olharam a paisagem, e se foram.Na manhã seguinte regressaram e se puseram, acintosos, diante de mim.— O que desejam, estúpidos animais?! — gritei, indignado.Sacudiram com tristeza as jubas e imploraram-me que os fizesse desaparecer:— Este mundo é tremendamente tedioso — concluíram.Não consegui refrear a raiva. Matei-os todos e me pus a devorá-los. Esperava morrer, vítima de fatal indigestão.Sofrimento dos sofrimentos! Tive imensa dor de barriga e continuei a viver.O fracasso da tentativa multiplicou minha frustração. Afastei-me da zona urbana e busquei a serra. Ao alcançar seu ponto mais alto, que dominava escuro abismo, abandonei o corpo ao espaço.Senti apenas uma leve sensação da vizinhança da morte: logo me vi amparado por um pára-quedas. Com dificuldade, machucando-me nas pedras, sujo e estropiado, consegui regressar à cidade, onde a minha primeira providência foi adquirir uma pistola.Em casa, estendido na cama, levei a arma ao ouvido. Puxei o gatilho, à espera do estampido, a dor da bala penetrando na minha cabeça.Não veio o disparo nem a morte: a máuser se transformara num lápis.Rolei até o chão, soluçando. Eu, que podia criar outros seres, não encontrava meios de libertar-me da existência.Uma frase que escutara por acaso, na rua, trouxe-me nova esperança de romper em definitivo com a vida. Ouvira de um homem triste que ser funcionário público era suicidar-se aos poucos.Não me encontrava em condições de determinar qual a forma de suicídio que melhor me convinha: se lenta ou rápida. Por isso empreguei-me numa Secretaria de Estado.1930, ano amargo. Foi mais longo que os posteriores à primeira manifestação que tive da minha existência, ante o espelho da Taberna Minhota.Não morri, conforme esperava. Maiores foram as minhas aflições, maior o meu desconsolo.Quando era mágico, pouco lidava com os homens -o palco me distanciava deles. Agora, obrigado a constante contato com meus semelhantes, necessitava compreendê-los, disfarçar a náusea que me causavam.O pior é que, sendo diminuto meu serviço, via -me na contingência de permanecer à toa horas a fio. E o ócio levou -me à revolta contra a falta de um passado. Por que somente eu, entre todos os que viviam sob os meus olhos, não tinha alguma coisa para recordar? Os meus dias flutuavam confusos, mesclados com pobres recordações, pequeno saldo de três anos de vida.O amor que me veio por uma funcionária, vizinha de mesa de trabalho, distraiu-me um pouco das minhas inquietações.Distração momentânea. Cedo retornou o desassossego, debatia-me em incertezas. Como me declarar à minha colega? Se nunca fizera uma declaração de amor e não tivera sequer uma experiência sentimental!1931 entrou triste, com ameaças de demissões coletivas na Secretaria e a recusa da datilógrafa em me aceitar. Ante o risco de ser demitido, procurei acautelar meus interesses. (Não me importava o emprego. Somente temia ficar longe da mulher que me rejeitara, mas cuja presença me era agora indispensável.)Fui ao chefe da seção e lhe declarei que não podia ser dispensado, pois, tendo dez anos de casa, adquirira estabilidade no cargo.Fitou-me por algum tempo em silêncio. Depois, fechando a cara, disse que estava atônito com meu cinismo. Jamais poderia esperar de alguém, com um ano de trabalho, ter a ousadia de afirmar que tinha dez.Para lhe provar não ser leviana a minha atitude, procurei nos bolsos os documentos que comprovavam a lisura do meu procedimento. Estupefato, deles retirei apenas um papel amarrotado — fragmento de um poema inspirado nos seios da datilógrafa.Revolvi, ansioso, todos os bolsos e nada encontrei.Tive que confessar minha derrota. Confiara demais na faculdade de fazer mágicas e ela fora anulada pela burocracia.Hoje, sem os antigos e miraculosos dons de mago, não consigo abandonar a pior das ocupações humanas. Falta-me o amor da companheira de trabalho, a presença de amigos, o que me obriga a andar por lugares solitários. Sou visto muitas vezes procurando retirar com os dedos, do interior da roupa, qualquer coisa que ninguém enxerga, por mais que atente a vista.Pensam que estou louco, principalmente quando atiro ao ar essas pequeninas coisas.Tenho a impressão de que é uma andorinha a se desvencilhar das minhas mãos. Suspiro alto e fundo.Não me conforta a ilusão. Serve somente para aumentar o arrependimento de não ter criado todo um mundo mágico.Por instantes, imagino como seria maravilhoso arrancar do corpo lenços vermelhos, azuis, brancos, verdes. Encher a noite com fogos de artifício. Erguer o rosto para o céu e deixar que pelos meus lábios saísse o arco-íris. Um arco-íris que cobrisse a Terra de um extremo a outro. E os aplausos dos homens de cabelos brancos, das meigas criancinhas.
RECEITA
1. 2 litros de café
2. 1 maço de cigarros
3. marasmo diário, infortúnio diário
4. um engradado de garrafas de cerveja, em média
6. 5 livros, mensalmente
7. 1.500.000.000 de checadas no e-mail
8. 2 km de caminhada pela casa
9. 7.000 devaneios diários
10. amar a distância
MODO DE PREPARO:
Junte tudo numa panela de pressão, deixe em fogo alto. quando começar a apitar, nem se importe. ligue o aparelho de som, música bem alta, algo como legião urbana e as canções mais dor de cotovelo que ele gravou, ou mesmo o disco com as pérolas do roberto carlos. joy division cai bem. ou mesmo uma billie holliday, estridente. acenda aquele cigarrinho calmante e deixa: o objetivo é explodir. Não é?
Wednesday, 10 September 2008
Lovecraft Mythos: O Par Diabólico
Uma figura, sob a ondulação atravessou-se-lhe, não provocando mais que uma rápida, serena, sombra prateada. Acostumado, o ser rude, indescritível, não iria intervir pois estava a caminho de algo mais importante e longe dali, muito longe, para sul, um jovem virado para o mesmo mar, sozinho, aguardava o nascer do sol.
Sunday, 7 September 2008
Thursday, 21 August 2008
Sunday, 10 August 2008
Uma História a dois
No pequeno sobrado em que funcionou, há tempos, um departamento do Ministério da Agricultura, situado atrás da igreja de São Gonçalo Garcia, residia outrora um opulento capitalista, de nome Rogério, casado com uma senhora cuja perversidade era o terror da mísera escravaria às suas ordens.
Entre os escravos havia uma jovem mulata chamada Julieta, cuja beleza e juventude alvoroçaram, logo que chegou, os sentidos do senhor, homem forte, másculo e ainda relativamente moço.
A maneira branda por que, desde o primeiro dia, começou a tratar a nova escrava, despertou incontinente os ciúmes da esposa, dona Jacinta, que exigiu o mais depressa possível a venda da rapariga, com o que não concordou Rogério, visto as razões secretas que tinha para conservá-la em seu poder.
Suspeitando do esposo, pôs-se dona Jacinta a espioná-lo, habilmente, e foi sem grande dificuldade que ficou sabendo que Julieta era algo mais do que simples escrava...
Capítulo 2: Quem és, Julieta?Rogério sabia que a sua esposa cedo descobriria os laços que tinha com a escrava.
Ele havia aceitado a crueldade dela como mais um fardo a carregar para além do casamento combinado pelos pais. Desde novo que sabia que aquele dia haveria de chegar, e quando os seus pais o chamaram de Portugal para o casamento com ela, não teve qualquer repulsa em seguir as ordens dos seus pais e agradá-los com este casamento.
Rogério havia vivido toda a sua juventude em Portugal com os seus tios. Seus pais haviam partido para o Brasil para gerir a fortuna directamente, ainda ele estava aos cuidados da sua ama, e o pai deixou-o aos cuidados da irmã e do marido. Apesar de considerar os tios como seus pais, Rogério tinha a vontade de poder um dia cair nas graças dos seus pais verdadeiros. Até lá viveu como filho adoptado do casal aristocrata. Com os seus tios, acompanhou-os nas suas viagens pelas capitais europeias, fez serões com os melhores músicos, discutiu com os pensadores contemporâneos, e chegou a recitar poemas clássicos para os grandes actores do Teatro São Carlos, amigos dos seus tios, com festivos elogios.
Rogério sabia também que o casamento havia sido engedrado pela mãe e filha, pois o pai da sua esposa era um incapaz, fruto de casamentos e nascimentos intersanguineos. As contas estavam falidas à já muitas gerações, e a fortuna que um avó tinha construido, já há muito que havia esgotada. Sobravam apenas o titulo de barão que o avó tinha conseguido, e ao qual o maneirismo da familia se agarrava desoladamente para não serem ainda mais a vergonha da sociedade.
Mas o que preocupava Rógerio estava longe de ser a sua esposa. O que preenchia os seus pensamentos, enquanto fazia a ronda à fazenda, era a origem do nome da Julieta. Haveria de lhe perguntar nessa mesma noite.
Capítulo 3: Quem és? Sonho? Visão? Uma brisa suave na manhã?
Quem és tu?
Julieta passara o dia todo trabalhando amargurantemente e incansavelmente. A pobrezinha havia sido retirada de suas raízes africanas a força.
Enquanto ela esfregava o chão impecável de dona Jacinta, Julieta relembrava os belos momentos em que passara em sua amada terra.
Lá vivia ao norte da Namíbia, com sua família de agricultores. Todos muito pobres, mas unidos. Lá ela fazia parte de uma tribo, em que todos trabalhavam muito e se importavam com o bem estar do outro.
Todas as tardes Julieta (que na verdade se chamava Arria - até seu nome verdadeiro havia sido renegado nessa nova pátria árdua), todas as tardes percorria o deserto profundo e místico de seu antigo mundo.
E foi numa dessas viagens mentais a sua antiga pátria, que Julieta foi abordada covardemente pela terrível dona Jacinta.
Chicotadas, chicotadas nas canelas daquela pobre moça!
Rogério ouvia os gritos de longe e não fazia nada. Mas por dentro ele se remoía, pois estaria sendo um covarde?
A noite preocupado, foi ter com sua amada escrava, que ainda estava muito abatida pela surra que havia levado.
Rogério correu em seu encalço, beijando-lhe os machucados. Queria saber onde estava sua família, se algum teria vindo no navio negreiro. Mas Julieta disse que não, estava só, somente ela nesse mundo voraz que devorava a cada dia que se passava a sua vontade de viver.
Naquela noite, Julieta se entregara àquele homem que ela não conhecia direito, mas que no fundo de sua alma, sentia que era para ser, mesmo correndo todos os riscos.
Capítulo 4: As feridas de amor
Já o sol ameacava aparecer quando a Ti Chica, a matrona, muito sábia e respeitada, veio até à barraca da Julieta. Rogério havia saido algumas horas antes, e Julieta não voltou a adormecer. Por isso, quando ouviu os passos a aproximarem-se, inquietou-se com receio que fosse a Dona Jacinta. Mas ao ouvir a voz da Ti Chica, ainda ficou mais atemorizada.
Ti Chica foi entrando, e com os olhos postos nos da Julieta, deixou as suas rugas formarem um sorriso compreensivo e tranquilo. Ao chegar perto dela, disse, reconfortavelmente:
- O amor é inevitável e ninguém o consegue parar.
Em seguida, da sacola, tirou uns embrulhos que os espalhou ao lado duma Julieta confusa. Para ela, a Ti Chica era a única pessoa em quem confiava, e mesmo os outros escravos lhe eram alheios. Estava completamente sozinha, não fosse a Ti Chica e o Rogério. Mas não esperava que ela tivesse sido tão conformada com a relação que tinha com ele. Já tinha ouvido os outros escravos a falar de revolução, de mudança. Ela temia que, se fosse descoberta, eles também se virassem contra ela. No entanto, naqueles curtos segundos, Julieta apenas via o calor que os doces enrrugados olhos da Ti Chica que lhe davam.
Ela passava agora os dedos numa pasta verde. Com um gesto, pediu a Julieta que lhe mostrasse as canelas. Que visão horrorosa tal eram as feridas que rasgavam a carne. Ti Chica já não tinha o sorriso que havia trazido para dentro da cabana, mas apenas um ar de preocupação extrema. Pensava ela que Julieta teria sofrido terrivelmente ao ter-se arrastado até à sua cabana. Os pés já começavam a ficar frios e roxos da falta de circulação do sangue vivo. Apenas com a paixão que tinha tido com o Rogério lhe havia tirado as dores por umas horas e ele não teria dado conta da gravidade da situação com a escura noite que lhes tinha envolvido. Mas agora era hora de acção, e segurando a mão de Julieta na sua, espalhou a pasta com a outra mão sobre as lacerações. Julieta contorcionava-se de dor. Aos poucos, intercalados de pequenos intervalos para que Julieta não desmaiasse de dor, os rasgos ficaram todos cobertos. Encostando a cabeça de Julieta no seu peito, a embalou até que ela adormecesse de tanta dor, cansaço e alívio. Pousou-a gentilmente na cama e saiu. Julieta havia, se tudo correr normalmente, de recuperar em poucos dias. Agora tinha que se encontrar com outro escravo. Em breve não haveria mais Julietas feridas. Não podia. Tem que haver mudança, pensava ela repetidamente, enquanto se aproximava.
Capítulo 5: Quem dorme com mulher feia, não tem medo de assombração
Uma tempestade se aproximava na vila, as árvores se debatiam com tremenda força que chegava a dar medo. Rogério distante se encaminhava ao casarão, para jantar com sua mulher Jacinta. Essa, era uma figura de dar dó, mulher feia, corcunda, possuía uma verruga imensa e cabeluda no queixo. Sua dentadura amarelada fedia a enxofre. Suas unhas grandes e encravadas remetiam a nojo profundo. Era uma criatura abominável. Seus cabelos fediam tutano de boi. Seus olhos zarolhos chegavam a confundir o mais vil demônio. Seus seios murchos e caídos chegavam a cintura. Seu suor dava vômitos. Aquela mulher não tinha um pingo de sensualidade, apenas ranso.
No casarão a mesa estava posta, com todas as regalias de um rei. Jacinta já estava toda arrumada, com um belo e caro vestido bordado com fios de ouro. Mas de que adiantava tanta pompa? Era um demônio que o vestia!!!! hahahahahahahahahaha
Rogério sabia que quando sua terrível mulher colocava aquela roupa, era dia de cumprir com seus deveres matrimoniais. Coitado.
Acabada a janta, Jacinta o pegou pela mão e disse: vamos aos nossos aposentos, homem do céu, não me deu um filho até hoje! Mas isso se acabará ...
Jacinta retirou seu vestido nobre e Rogério ficou pasmo, fazer amor com aquela mulher, além de feia, má? Era um desaforo. O que ele estava fazendo da sua vida. Enquanto ele cumpria seus deveres com Jacinta, ele pensava em como Julieta era diferente, seu cheiro era especial, suas curvas, sua bondade ... mas foi disperso dos seus sonhos quando Jacinta disse: vamos fazer amor olhando no espelho!!!!!!
ÓH deus!
Capítulo 6: O corpo perdido
Com a luz das velas interrompidas pelos relámpagos, Rogério via a enjoante nudez de Jacinta espelhada. A cada movimento dos corpos, o seu se vomitava silenciosamente. Não havia sentido seu que não estivesse torvado pela presença da sua mulher. Os olhos secos e vermelhos mais tempo passavam fechados; as mãos se contorciam, já dormentes, envoltas no lençol para que não tivesse qualquer contacto com a putrefacta; o nariz havia já muito que se tinha recusado a inspirar o ar fétido, e agora, lhe ardia em toda a profundidade até lhe queimar o cérebro; seus ouvidos já se tinham posto a later de tal forma, que lhe todo o maxilar tremia a cada guincho vindo dela; a boca sabia-lhe a sangue de, futilmente, querer arrancar com os dentes, o sabor que ela lhe havia deixado a cada beijo forçado.
Ah, que choro lhe corria pela alma. Estava tão desolado que a imagem de Julieta lhe aparecia como uma sombra sem forma. Ele sabia que ela estava ali nos seu coração, mas tão longe. Ele sabia que, se a sua mulher conseguisse gerar um filho no seu corpo envenado, seria o fim para Rogério e Julieta. Teria que encontrar alguém que fosse capaz de se certificar que nada nascesse dentro daquele antro de carne. Teria que o fazer o quanto antes. O seu casamento já se arrastava, seria a única saída para acabar com ele: uma esposa infértil.
Enquanto que a mente de Rogério se afastava cada vez mais do quarto, Jacinta se irritava a cada compulsão. Ela própria tinha noção que o seu corpo frio e áspero não conseguia exitar o corpo do seu marido. Por isso, durante o jantar, já havia posto 3 doses de uma poção oferecida pela sua mãe. Esta tinha usado o mesmo frasco na sua noite de núpcias, e dessa noite, havia nascido a sua única filha. Com comprovada eficácia, Jacinta apenas tinha que esperar pela reação de Rogério. Nem que tivessem que ficar naqueles lençois durante dias.
Rogério fluia cada vez mais para longe mas sentia algo de errado. O seu corpo cada vez ofegava mais, sentia mais força, cada vez mais poderosa. Mas os seus pensamentos corriam em torno de coisas desconexas. À medida que sentia o corpo cada vez mais selvagem, foi perdendo o controlo do seu corpo, até que o vazio lhe invadiu por completo a mente. Oh, o que havia feito ele...
Capítulo 7: Veneno da madrugada
Zenóbio, o capanga de Jacinta estava a par de tudo o que acontecia entre Rogério e Julieta, ele era como uma sombra, e cada passo que o marido de sua patroa dava era relatado nos mínimos detalhes a Jacinta.
Naquela tarde, Zenóbio estava encarregado de encontrar um pé de mamona, para extrair rícino, pois dona Jacinta iría preparar um veneno letal para Julieta. Para ele essa tarefa era um imenso prazer, pois ele como sua patroa, eram de uma maldade e crueldade de dar medo no mais vil bárbaro.
Terminada a tarefa, Zenóbio levou sorridente as mamonas para Jacinta, que foi para o porão imediatamente preparar a toxina que levaria aquela escrava à morte. Mas não era só isso que Jacinta tramava, algo pior estava sendo mentalizado por ela. Essa noite, Rogério iria caçar capivaras com seus amigos e Jacinta praticaria uma grande festa da crueldade!
Após a saída de Rogério, Jacinta ordenou a Zenóbio que levasse Julieta ao porão, lá já estava tudo preparado para sua vingança. Jacinta estava como um pavão, toda emplumada, havia se vestido com imenso prazer para praticar suas maldades, fez uma maquiagem diabólica, pintou suas unhas de vermelho sangue, amarrou seus cabelos para cima que dava a impressão de possuir chifres, derramou um vidro de seu melhor perfume sobre si, estava insana.
Assim que Zenóbio chegou no porão ficou vislumbrado com a sórdida cena, velas em todos os cantos, correntes, alicates de tortura e um caldeirão com o veneno aquecido. Sentada em uma cadeira bestial Jacinta dava gargalhadas enlouquecidas. Julieta ficou pasma.
Julieta foi acorrentada, torturada, suas unhas foram arrancadas uma a uma, sua língua foi cortada, e sua pele negra foi queimada com ferro de marcar gado. Julieta já não aguentava mais, e a pior parte estava para vir: o veneno.
Foi aí que....
Capitulo 8: A revolta
... se começaram a ouvir tumultos. Cada vez se tornavam mais audíveis, mesmo com os gritos sufucados pelo próprio sangue e lágrimas da Julieta. Zenóbio começou a balancear de medo, pois os sons ouvidos ecoavam por todo o porão. Era sem dúvida uma multidão enfurecida. Jacinta não quis perder tempo, e lançou-se ao caldeirão. A sopa de mamonas estava pronta a ser servida; ela verteu da enorme colher para o calice de metal rude e encaminhou-se na direcção da Julieta acorrentada. Mas na sua direcção também o rugir do tumulto se aproximava. Jacinta ria sozinha como louca. Julieta chorava e berrava sangue. Todo aquele ruído embatia na cabeça de Zenóbio como uma parede. Também ele agora gritava de loucura. De olhos cheios de raiva, teve um momento de clareza. Não podia ser encontrado do lado da Jacinta. Ele sabia que os escravos andavam embrutecidos com a maldade que os dois lhes causavam. Só havia uma saída! Saltou sobre Jacinta que entornou o cálice sobre si. Rapidamente Zenóbio imobilizou-a contra a poeira do chão enquanto que ela gritava e esperneava. Os gritos perceptiveis da sua boca desformada e coberta de pó eram de sofrimento pelo seu vestido, que se coloria de amarelo poerento. Com um soco, fê-la calar por uns momentos. Já se ouviam as vozes de comando do outro lado da porta maciça. Levantou Jacinta pelos cabelos e a puxou para junto da porta. Jacinta cuspia pó e sangue em todas as direcções até a sua cara ter encontrado a porta que tremia dos encontrões dos escravos. À medida que Zenóbio começou a puxar os ferros da porta, o silêncio foi-se instalando do outro lado. Até que ao cair do último ferro, a porta se entreabriu. Logo se seguiu um rugido e Jacinta foi arrancada de Zenóbio. Este tentou falar mas foi rapidamente lançado ao chão com uma foice que lhe cortou a cara. Dois escravos enormes lançaram-se a ele e em poucos segundos, ficou paralisado com a dor dos ossos partidos. Já com Jacinta e Zenóbio a serem arrastados pela violência dos que se encontravam lá fora, Mino apressou-se a socorrer Julieta. Mas como? Ao tirar os guilhões, pedaços de pele ficaram agarrados a estes, e aos poucos, Julieta foi perdendo as suas forças e desmaiou nos braços de Mino.
Entretanto, as gentes invadiam o quarto da senhora atirando tudo pela janela: vestidos, plumas, perfumes, móveis, espelhos ... Seguindo as ordens de Mino, deixaram tudo o que não pertencia a ela intacto. Com os aposentos destruídos e vazios, Jacinta engolia ainda o pó que se lhe misturava com o batom. Estava a ser arrastada para a frente da sua casa, e foi aí que teve o seu maior desgosto ao ver as suas coisas mais preciosas a esvoaçarem pelas janelas. O escuro da noite já cobria os céus, e em curto momento, com várias torchas, a pilha voltou a tornar a escuridão em dia. Aos gritos desesperados de Jacinta, agora ela própria acorrentada, respondia a chama, crepitando.
Mino entrou no mucambo da Ti Chica com Julieta nos braços. Esta examinou com cuidado a desmaiada e tremeu a cada contorno do corpo desfeito de Julieta. Consentiu Mino a retirar-se e falou para um moço para ir no porão procurar o que restava da língua.
Pouco depois, Mino aproxima-se da Jacinta rouca e sem hesitar, serra-lhe a mão direita. Em convulções é pendurada pelos pés e chicoteada até perder a consciência. Haveria de ficar ali para que os mosquitos a devorassem até à demência. Feito os seus deveres, o grupo de escravos encaminhou-se para os seus mucambos para preparar a viagem ao encontro de um quilombo que se aglomerava a algumas horas de distância.
Capítulo 9: pomba gira faz milagre
O coração amargurado de Jacinta se apertava que chegava a doer, ela nem se importava com sua morte que estava próxima, mas sim com seus bens materiais estraçalhados e jogados ao relento. Em cada vestido, cada jóia, cada pintura destruída ela sentia uma fincada no coração. Que mulher mais egoísta e presa aos bens materiais. Sua garganta já sentia o efeito maligno do veneno, ela realmente sabia que sua morte seria horrível, mas ela nem se importava com isso, e nem mesmo com o filho que estava em seu ventre, filho este feito a base de macumbas fortíssimas em seu último jantar com Rogério. Ela só se importava com suas futilidades. Será que ela achava que iría levar suas coisas para seu túmulo perpétuo? Estava enganada.
Um escravo muito musculoso a puxou pelo cotoco de braço que lhe restava e a amarrou ao pelourinho, sua pele já estava bastante decomposta pelas chamas da rebelião, mas aquela mulher ingrata e má não sentia nenhuma dor, só poderia ser um demônio que habitava aquele corpo, ela não merecia perdão, ela só merecia a morte mais dolorida que já existiu nessa terra. O veneno foi lhe descendo garganta a fora cortando tudo o que havia na frente, sua cabeça já não funcionava bem, Jacinta começava a delirar até que Zenóbio, se arrastando em meio ao grande tumulto, coberto de sangue e com o cérebro quase exposto lhe pegou pela mão que lhe restava lhe dizendo: "me desculpe minha senhorinha, não era a minha intenção, me perdoe, só assim morrerei em paz". Jacinta ainda teve um lapso de lembrança em meio a sua morte e lhe cuspiu na cara o amaldiçoando eternamente. O capataz morreu ali mesmo, olhos aterrorizados pela praga de sua patroa. Ela ficou olhando, sem um pingo de dó e de gratidão, rindo loucamente seu corpo e alma despediram-se para sempre dessa vida de rancor.
Enquanto isso, na cabana da feiticeira Ti Chica, Julieta desmaiada não dava o mínimo sinal de vida. Ti Chica decidiu invocar todos os santos do candomblé, até mesmo aqueles que ela nem gostava de pedir ajuda no pior momento, como a pomba gira. Logo após o escravo ter trago o que sobrara da língua de Julieta, a feiticeira ordenou que o escravo fosse buscar as oferendas necessárias para o seu ritual: arnica, cachaça da boa, fumo de rolo, palha, velas, e o mais estranho de todos: sangue retirado diretamente da jugular de dona Jacinta. O escravo imediatamente foi providenciar as mandingas, e Ti Chica foi até seus vidros de magia negra procurar o que ela necessitava. E foi cantando:
Quem não me tem, que não me inventi, quem me inventar que me aguente, sou Maria Padilha, corpo de moça e natureza de serpente.
Ti Chica realizou sua cerimônia com esmero e concentração, ela sabia da força da pomba gira, e no fim de tudo conseguiu costurar a língua de Julieta, além de passar um emplasto que curaria as marcas na pele de ébano da mesma. Quando teve certeza que ela ficaria bem, partiu com os demais escravos para o quilombo onde viveria em paz o resto de sua vida.
Julieta ficou sozinha naquela fazenda destruída, esperando por Rogério, que estava a caminho de uma nova vida com sua amada.
Saturday, 9 August 2008
Rodrigo y Gabriela - Diablo Rojo
Rodrigo (Sanchez) and Gabriela (Quintero) are two fast-fingered, Dublin-based, Mexicans with a unique sound created on acoustic guitars. Their music is difficult to define, straddling both world and rock, and often imbued with timeless Hispano – classical influences. The fire in it comes from their life-long passion for metal music.
rodgab.com
Wednesday, 6 August 2008
para esquecermos das crueldades com os animais, minha consciência tá pesadíssima! presentinho pra vc esquecer do meu lado ruim!
não está dando certo!
q pena!
sem audio!
Tuesday, 5 August 2008
Johnny Cash - God's Gonna Cut You Down
You can run on for a long time
Run on for a long time
Run on for a long time
Sooner or later God'll cut you down
Sooner or later God'll cut you down
Go tell that long tongue liar
Go and tell that midnight rider
Tell the rambler, the gambler, the back biter
Tell 'em that God's gonna cut 'em down
Tell 'em that God's gonna cut 'em down
Well my goodness gracious let me tell you the news
My head's been wet with the midnight dew
I've been down on bended knee talkin' to the man from Galilee
He spoke to me in the voice so sweet
I thought I heard the shuffle of the angel's feet
He called my name and my heart stood still
When he said, "John go do My will!"
Go tell that long tongue liar
Go and tell that midnight rider
Tell the rambler, the gambler, the back biter
Tell 'em that God's gonna cut 'em down
Tell 'em that God's gonna cut 'em down
You can run on for a long time
Run on for a long time
Run on for a long time
Sooner or later God'll cut you down
Sooner or later God'll cut you down
Well you may throw your rock and hide your hand
Workin' in the dark against your fellow man
But as sure as God made black and white
What's down in the dark will be brought to the light
You can run on for a long time
Run on for a long time
Run on for a long time
Sooner or later God'll cut you down
Sooner or later God'll cut you down
Go tell that long tongue liar
Go and tell that midnight rider
Tell the rambler, the gambler, the back biter
Tell 'em that God's gonna cut you down
Tell 'em that God's gonna cut you down
Tell 'em that God's gonna cut you down
Sunday, 3 August 2008
Wednesday, 30 July 2008
Uma loucura de festival!
Tuesday, 29 July 2008
Monday, 28 July 2008
Sempre ausente

Todas as horas são passadas a pensar em nós...
5 Centimeters Per Second (秒速5センチメートル, Byōsoku Go Senchimētoru?), subtitled "a chain of short stories about their distance." is a 2007 Japanese animated feature film by Makoto Shinkai.
O título 5 Centimetros por segundo vem da velocidade com que as flores das cerejeiras caiem, sendo uma representação metafórica da relação dos humanos, remenisciente da lentidão da vida e como as pessoas começam juntas mas acabam por desviar para caminhos diferentes.
As cerejeiras em flor chamam-se Sakura.
Thursday, 24 July 2008
Wednesday, 23 July 2008
Sunday, 20 July 2008
Saturday, 19 July 2008
Friday, 18 July 2008
A velhice começa surgindo de dentro da mocidade ...

sexta pensante!
Olhos de cão azul
Gabriel García Márquez
Então olhou para mim. Pensava que olhava para mim pela primeira vez. Mas então, quando se virou por trás do abajur, e eu continuava sentindo sobre o ombro, nas minhas costas, seu escorregadio e oleoso olhar, compreendi que era eu quem a olhava pela primeira vez. Acendi um cigarro. Traguei a fumaça áspera e forte, antes de fazer girar a cadeira, equilibrando-a sobre uma das pernas posteriores. Depois disso a vi ali, como havia estado todas as noites, de pé junto ao abajur, me olhando. Durante breves minutos não fizemos nada mais que isto: olhar-nos. Eu, olhando-a da cadeira, equilibrando-me numa das pernas traseiras. Ela, em pé, me olhando, com uma das mãos, comprida e quieta, sobre o abajur. Via as pálpebras iluminadas como todas as noites. Foi então que lembrei o de sempre, quando lhe disse: "Olhos de cão azul". Ela me disse, sem tirar a mão do abajur: "Isso. Já não o esqueceremos nunca". Saiu da órbita suspirando: "Olhos de cão azul. Escrevi isso por todas as partes”.
Vi-a caminhar em direção à cômoda. Vi-a aparecer na lua circular do espelho, olhando-me agora no final duma ida e volta de luz matemática. Vi-a continuar me olhando com seus grandes olhos de cinza acesa: olhando-me enquanto abria uma caixinha revestida de nácar rosado. Vi-a passar pó-de-arroz no nariz. Quando acabou de fazer isso, fechou a caixinha e voltou a ficar em pé e andou novamente em direção ao abajur, dizendo: "Temo que alguém sonhe com este quarto e mexa nas minhas coisas"; e estendeu sobre a chama a mão comprida e trêmula, a mesma que estivera esquentando antes de sentar-se em frente ao espelho. E me disse: "Você não sente o frio". E eu lhe disse: "Às vezes". E ela me disse: "Você deve senti-lo agora". E então compreendi por que não tinha podido ficar sozinho na cadeira. Era o frio o que me dava certeza da minha solidão. "Agora o sinto", disse. "E é raro, porque a noite está quieta. Talvez o lençol tenha rodado". Ela não respondeu. Começou a se mexer em direção ao espelho e voltei a girar sobre a cadeira para ficar de costas para ela. Embora sem vê-Ia, sabia o que estava fazendo. Sabia que estava outra vez sentada diante do espelho, vendo minhas costas, que haviam tido tempo para chegar até o fundo do espelho, e serem encontradas pelo seu olhar, que também havia tido o tempo justo para chegar até o fundo e regressar antes que a mão tivesse tempo de iniciar a segunda virada — até os lábios que estavam agora pintados de carmim, da primeira virada da mão em frente ao espelho. Eu via, à minha frente, a parede lisa, que era como outro espelho cego, onde eu não a via sentada às minhas costas, mas imaginando onde estaria, se no lugar da parede tivesse sido colocado um espelho. "Estou vendo você", disse-lhe. E vi, na parede, como se ela tivesse levantado os olhos e me visto de costas na cadeira, ao fundo do espelho, com o rosto voltado para a parede. Depois vi-a abaixar as pálpebras, outra vez, e ficar com os olhos quietos no seu sutiã, sem falar. E voltei a lhe dizer: "Estou vendo você." E ela voltou a levantar os olhos do sutiã. "É impossível", disse. Eu perguntei por quê. E ela, com os olhos outra vez quietos no sutiã: "Porque você tem o rosto voltado para a parede". Então eu fiz girar a cadeira. Tinha o cigarro apertado na boca. Quando fiquei de frente para o espelho, ela estava outra vez junto do abajur. Agora tinha as mãos abertas sobre a chama, como duas asas abertas de galinha, sendo assada, e com o rosto sombreado pelos próprios dedos. "Acho que vou me resfriar", disse. "Esta deve ser uma cidade gelada”. Voltou o rosto de perfil e sua pele de cobre vermelho se tornou repentinamente triste. "Faça alguma coisa contra isso", disse. E ela começou a tirar a roupa, peça por peça, começando por cima; pelo sutiã. Disse-lhe: "Vou me virar para a parede". Ela disse: "Não. De todas as maneiras você vai me ver, como me viu quando estava de costas". Mal tinha acabado de dizer isso e já estava despida quase por completo, com a chama lambendo-lhe a comprida pele de cobre. "Sempre tinha querido ver você assim, com o couro da barriga cheio de buracos fundos, como se houvessem feito você a pauladas". E antes que eu me desse conta de que minhas palavras se tinham tornado torpes diante da sua nudez, ela ficou imóvel, esquentando-se na órbita do abajur, e disse: "Às vezes creio que sou metálica". Manteve o silêncio por um instante. A posição das mãos sobre a chama mudou levemente. Eu disse: "Às vezes, em outros sonhos, pensei que você é apenas uma estatueta de bronze num canto de algum museu. Talvez por isso sinta frio". E ela disse: "Às vezes, quando durmo sobre o coração, sinto que o corpo fica como um ovo, e a pele como uma lâmina. Então, quando o sangue me bate por dentro, é como se alguém me estivesse chamando com os nós dos dedos na barriga, e sinto meu próprio som de cobre na cama. É como se fosse assim como você diz: de metal laminado". Aproximou-se mais do abajur. "Teria gostado de ouvir você", disse. E ela disse: "Se alguma vez nos encontrarmos ponha o ouvido nas minhas costelas, quando eu dormir sobre o lado esquerdo, e me ouvirá ressonar. Sempre desejei que você alguma vez fizesse isso”. Ouvi-a respirar fundo enquanto falava. E disse que durante anos não tinha feito nada diferente disso. Sua vida estava dedicada a me encontrar na realidade, por meio dessa frase identificadora. "Olhos de cão azul." E na rua ia dizendo em voz alta, que era uma maneira de dizer à única pessoa que teria podido compreendê-la:
"Eu sou a que chega em seus sonhos todas as noites e lhe diz isto: olhos de cão azul". E ela disse que ia aos restaurantes e dizia para os garçons, antes de fazer o pedido: "Olhos de cão azul". Mas os garçons lhe faziam uma respeitosa reverência, sem que houvessem lembrado nunca ter dito isso nos seus sonhos. Depois escrevia nos guardanapos e riscava com a faca o verniz das mesas: "Olhos de cão azul". E nos cristais embaçados dos hotéis, das estações, de todos os edifícios públicos, escrevia com o indicador: "Olhos de cão azul". Disse que uma vez chegou a uma drogaria e percebeu o mesmo cheiro que tinha sentido no seu quarto uma noite, depois de ter sonhado comigo: "Deve estar perto", pensou, vendo a cerâmica limpa e nova da drogaria. Então se aproximou do vendedor e lhe disse: "Sempre sonho com um homem que me disse: "Olhos de cão azul". E disse que o vendedor a havia olhado nos olhos e dito: "Na verdade, moça, a senhora tem os olhos assim". E ela disse: "Preciso encontrar o homem que me diz isso nos sonhos". E o vendedor começou a rir e foi para o outro lado do balcão. Ela permaneceu olhando o ladrilho limpo do chão e sentindo o cheiro. E abriu a bolsa e se ajoelhou e escreveu com o batom sobre o ladrilho, com grandes letras vermelhas: "Olhos de cão azul". O vendedor regressou de onde se encontrava. Disse-lhe: "Moça, a senhora sujou o ladrilho". Deu-lhe um pano úmido, dizendo: "Limpe-o". E ela disse, ainda junto ao abajur, que passou a tarde toda agachada, lavando o ladrilho e dizendo: "Olhos de cão azul", até que as pessoas se aglomeraram na porta e disseram que estava louca.
Agora, quando acabou de falar, eu continuava no canto, sentado, equilibrando-me na cadeira. "Tento me lembrar todos os dias da frase com que preciso encontrar você", disse. "Agora creio que amanhã não a esquecerei. Mas sempre esqueço ao acordar quais são as palavras com que posso encontrar você". E ela disse: "Você mesmo as inventou desde o primeiro dia". E eu lhe disse: "Inventei-as porque vi seus olhos cor de cinza. Mas nunca me lembro delas na manhã seguinte." E ela, com os punhos fechados junto ao abajur, respirou fundo: "Se pelo menos pudesse recordar agora em que cidade estive escrevendo isso".
Seus dentes apertados resplandeceram sobre a chama. "Eu gostaria de tocar em você agora", disse. Ela levantou o rosto que estivera olhando a luz: levantou o olhar ardente, assando-se também do mesmo jeito que ela, do mesmo jeito que suas mãos: e eu senti que me viu, no canto, onde continuava sentado, me balançando na cadeira. "Você nunca me tinha dito isso", disse. "Agora digo, e é verdade", disse. Do outro lado do abajur ela me pediu um cigarro. O toco tinha desaparecido dos meus dedos. Esquecera que estava fumando. Disse: "Não sei por quê, não posso lembrar onde o escrevi". E eu lhe disse: "Pela mesma razão pela qual eu não poderei lembrar as palavras amanhã". E ela disse, triste: "Não. É que às vezes creio que também sonhei isso". Fiquei em pé e andei até o abajur. Ela estava um pouco mais para lá, e eu continuava andando, com os cigarros e os fósforos na mão, e não passaria o abajur. Aproximei dela o cigarro. Ela o apertou entre os lábios e se inclinou para atingir a chama, antes que eu tivesse tempo de acender o fósforo. "Em alguma cidade do mundo, em todas as paredes, têm que estar escritas estas palavras: 'Olhos de cão azul", disse. "Se amanhã me lembrasse delas iria buscar você". Ela levantou outra vez a cabeça e já tinha a brasa acesa nos lábios."Olhos de cão azul", suspirou, recordando, com o cigarro jogado sobre o queixo e um olho semifechado. Aspirou a fumaça, com o cigarro entre os dedos, e exclamou: "Já isto é outra coisa. Estou me sentindo mais quente". E disse-o com a voz um pouco morna e fugidia, como se não o tivesse dito realmente, mas como se houvesse aproximado o papel à chama enquanto eu lia: "Estou entrando — e ela tivesse continuado com o papelzinho entre o polegar e o indicador, virando-o, enquanto ia se consumindo e eu acabava de ler — ... mais quente", antes que o papelzinho se consumisse por completo e caísse ao chão amassado, diminuído, convertido num leve pó de cinza. "Assim, é melhor", disse. "Às vezes me dá medo ver você assim. Tremendo junto ao abajur".
Há vários anos nos víamos. Às vezes, quando já estávamos juntos, alguém deixava cair lá fora uma colherinha e acordávamos. Pouco a pouco íamos compreendendo que nossa amizade estava subordinada às coisas, aos acontecimentos mais simples. Nossos encontros terminavam sempre assim, com o cair de uma colherzinha na madrugada.
Agora, junto ao abajur, estava me olhando. Eu lembrava que antes também me havia olhado assim, desde aquele remoto sonho em que fiz a cadeira girar sobre as pernas traseiras e fiquei diante de uma desconhecida de olhos cinzentos. Foi nesse sonho que perguntei a ela pela primeira vez:"Quem é a senhora?" E ela me disse: "Não lembro". Eu lhe disse: "Mas acredito que nos vimos antes". E ela disse, indiferente: "Creio que alguma vez sonhei com o senhor, com este mesmo quarto". E eu lhe disse: "É isso. Já começo a lembrar". E ela disse: "Que curioso. É verdade que temos nos encontrado em outros sonhos".
Deu duas chupadas no cigarro. Eu estava ainda em pé em frente ao abajur, quando fiquei olhando para ela de repente. Olhei-a de cima a baixo e ainda era de cobre; mas já não de metal duro e frio, senão de cobre amarelo, macio, maleável. "Gostaria de tocar em você", voltei a dizer. E ela disse: "Você jogaria tudo por água abaixo", voltou a dizer, antes que eu pudesse tocá-la. "Talvez, se você se virar por trás do abajur, acordaríamos sobressaltados quem sabe em que parte do mundo". Mas eu insisti: "Não importa". E ela disse:"Se virássemos o travesseiro, voltaríamos a nos encontrar. Mas você, quando acordar, terá esquecido tudo". Comecei a me mexer em direção ao canto. Ela ficou por trás, esquentando as mãos sobre a chama. E eu ainda não estava junto da cadeira quando a ouvi falar às minhas costas: "Quando acordo à meia-noite, fico revirando-me na cama, com os fios do travesseiro ardendo no joelho e repetindo até o amanhecer: 'Olhos de cão azul'".
Então fiquei com o rosto na parede. "Já está amanhecendo", disse sem olhar para ela. "Quando deram duas da manhã, estava acordado, já fazia bastante tempo." Dirigi-me até a porta. Quando tinha pegado a maçaneta, ouvi outra vez sua voz igual, invariável: "Não abra essa porta", disse. "O corredor está cheio de sonhos difíceis". E eu lhe disse: "Como você sabe disso?" E ela me disse: "Porque há pouco estive ali e tive que voltar quando descobri que estava dormindo sobre o coração". Eu mantinha a porta entreaberta. Movi um pouco o batente, e um ar frio e tênue me trouxe um cheiro fresco de terra vegetal, de campo úmido. Ela falou outra vez, virei-me, mexendo ainda o batente montado em gonzos silenciosos, e lhe disse: "Creio que não há nenhum corredor aqui fora. Sinto o cheiro do campo". E ela,já um pouco longe, me disse: "Conheço isso mais do que você. O que acontece é que lá fora há uma mulher sonhando com o campo". Cruzou os braços sobre a chama. Continuou falando: "É essa mulher que sempre desejou ter uma casa no campo e nunca pôde sair da cidade". Eu lembrava ter visto a mulher num outro sonho anterior, mas sabia, já com a porta entreaberta, que dentro de meia hora tinha que descer para o café da manhã. E lhe disse: "De todas maneiras, tenho que sair daqui para acordar".
Lá fora o vento bateu um instante, ficou quieto depois, e ouviu-se a respiração de alguém adormecido que acabava de virar-se na cama. O vento do campo suspendeu-se. Já não houve mais odores. "Amanhã vou reconhecer você por isso", disse. "Vou reconhecê-la quando vir na rua uma mulher que escreva nas paredes: 'Olhos de cão azul'". E ela, com um sorriso triste — que já era um sorriso de entrega ao impossível, ao inatingível —, disse: "Não obstante, você não lembrará nada durante o dia". E voltou a pôr as mãos sobre o abajur, com a expressão obscurecida por uma névoa amarga: "Você é o único homem que, ao acordar, não se lembra nada do que sonhou".
Colóquio nacional "memórias póstumas de um gatinho rebelde"
Finalmente um evento de gatos no nosso país!!!!
E se vcs não sabem os gatos são animais idolatrados aqui no País do Caranguejo!!!
Neste colóquio serão discutidos assuntos rotineiros sobre o seu amado gato!
Para começar irei postar a foto do meu amado gatinho Pixote Rodrigues Soares, que faleceu ano passado com quase 16 anos de vida!
Vamos apreciar sua beleza!!!
e para quem tem fotos de gatinhos lindos e histórias para contar sobre estas amadas criaturas postem aqui!
beijinhos cheio de miadinhos e ronronados a todos!
Notícias
Desde então que o país vive numa constante festa e por tal, não houve teatro na 3ª feira, como seria normal.
Deseja-se a todos, continuação de boas festas ;)
Saturday, 12 July 2008
Oceano
Se o oceano fosse um mar,
eu apanhava um barco.
Se o oceano fosse um rio,
eu atravessava a ponte.
Se o oceano fosse um fiozinho de água
eu estendia-te a mão.
Mas o oceano é um oceano...
Friday, 11 July 2008
Thursday, 10 July 2008
sou ...
Busco uma verdade que já encontrei... Nunca vi meu reflexo num espelho... Minha imagem é um fantasma decadente... Tão pleno de obscuridades como um abismo... Penso em encontrar uma luz que meu olhar perdido nunca mirou verdadeiramente... Sei que a maioria dos homens pensam que se conhecem a si mesmos... Sei que a existência não é tão simples quanto pensam o comum dos homens... Sei que há mais mistérios que evidências sobre o Ser universal...Sei que ser homem no mundo é ser um poço de dúvidas, de confusão e buscas infindas... Sei que todos buscam uma felicidade e um sentido e uma verdade... Mas, por mais que pensem possuí-los, são todos os homens, na verdade mais inexorável e necessária, a mais pura miséria... o vazio e a incerteza são o seu conteúdo intrínseco... Sei que ainda um pouco e aqui estamos, e logo mais seremos pó e esquecimento...
Por isso luto com sofreguidão para alcançar um fundamento para minha exitência que seja atemporal, imutável, infinito, bom, e que verdadeiramente torne minha alma plena de felicidade, de confiança, de certeza, embora miserável ainda, mas apenas pelo tempo que me resta neste mundo... Sou aquela que caminha rastejante para Christo, e que embora O sinta demasiado distante de meu ser, nunca cessa de buscá-lo... pois sei que tudo tende para o nada, para a decadência do "não-ser", sou ciente da condição miserável do mundo mergulhado no tempo linear, e ainda mais da pobreza de todo homem, que vem a esse mundo sem saber por-que e para onde vai... e assim como veio ao acaso, também por acaso, de um para outro dia voltará para o nada de que veio... e ainda assim, têm a audácia de pensar que são o centro de si mesmos, são, ainda, uns escravos de suas vontades: a vontade de saber, a vontade de sentir e a vontade de dominar... Pobres diabos!!! Não há melhor adjetivação para essa raça de bípedes, maléficos desde sua meninice, sempre estribando-se em sua pérfida ciência de vaidades fúteis... Como esperam ainda que Deus compartilhe de sua história louca, de seus desvarios em busca de poder e felicidade... Tolos, não vêem um palmo à frento dos olhos e imaginam ver-se ao lado de Deus... Por isso digo... Ai dos fracos em meio à guerra vã dos homens insensatos... Mas ai, mais ainda, dos que pensam ser fortes e felizes em seu gozo ínfimo e temporal... Ai dos que vivem rastejando em busca do Redentor... mas infortunados são, mais ainda, os que se estribam em suas próprias forças e possibilidades e que imaginam-se autônomos e independentes... Pois somos todos fumaça levada pelo vento rápido do tempo... Como nuvens vivemos sendo para nunca chegarmos a ser... Que Christo tenha compaixão dessa geração má e rebelde, inxados de soberba, orgulhosa de seus êxitos, à custa da miséria dos excluídos... Arrependei-vos pois, enquanto podeis, pois sois apenas pó, lama de lodo corrompível, abominável... passais e não voltareis mais... Buscai o que não se troca pelo nada, o que não corrompe o espírito, o que não submete a alma à corrupção a que está necessariamente condenada esta nossa temporária natureza carnal...




















