Sou um ser consciente de minha condição de decaída...
Busco uma verdade que já encontrei... Nunca vi meu reflexo num espelho... Minha imagem é um fantasma decadente... Tão pleno de obscuridades como um abismo... Penso em encontrar uma luz que meu olhar perdido nunca mirou verdadeiramente... Sei que a maioria dos homens pensam que se conhecem a si mesmos... Sei que a existência não é tão simples quanto pensam o comum dos homens... Sei que há mais mistérios que evidências sobre o Ser universal...Sei que ser homem no mundo é ser um poço de dúvidas, de confusão e buscas infindas... Sei que todos buscam uma felicidade e um sentido e uma verdade... Mas, por mais que pensem possuí-los, são todos os homens, na verdade mais inexorável e necessária, a mais pura miséria... o vazio e a incerteza são o seu conteúdo intrínseco... Sei que ainda um pouco e aqui estamos, e logo mais seremos pó e esquecimento...
Por isso luto com sofreguidão para alcançar um fundamento para minha exitência que seja atemporal, imutável, infinito, bom, e que verdadeiramente torne minha alma plena de felicidade, de confiança, de certeza, embora miserável ainda, mas apenas pelo tempo que me resta neste mundo... Sou aquela que caminha rastejante para Christo, e que embora O sinta demasiado distante de meu ser, nunca cessa de buscá-lo... pois sei que tudo tende para o nada, para a decadência do "não-ser", sou ciente da condição miserável do mundo mergulhado no tempo linear, e ainda mais da pobreza de todo homem, que vem a esse mundo sem saber por-que e para onde vai... e assim como veio ao acaso, também por acaso, de um para outro dia voltará para o nada de que veio... e ainda assim, têm a audácia de pensar que são o centro de si mesmos, são, ainda, uns escravos de suas vontades: a vontade de saber, a vontade de sentir e a vontade de dominar... Pobres diabos!!! Não há melhor adjetivação para essa raça de bípedes, maléficos desde sua meninice, sempre estribando-se em sua pérfida ciência de vaidades fúteis... Como esperam ainda que Deus compartilhe de sua história louca, de seus desvarios em busca de poder e felicidade... Tolos, não vêem um palmo à frento dos olhos e imaginam ver-se ao lado de Deus... Por isso digo... Ai dos fracos em meio à guerra vã dos homens insensatos... Mas ai, mais ainda, dos que pensam ser fortes e felizes em seu gozo ínfimo e temporal... Ai dos que vivem rastejando em busca do Redentor... mas infortunados são, mais ainda, os que se estribam em suas próprias forças e possibilidades e que imaginam-se autônomos e independentes... Pois somos todos fumaça levada pelo vento rápido do tempo... Como nuvens vivemos sendo para nunca chegarmos a ser... Que Christo tenha compaixão dessa geração má e rebelde, inxados de soberba, orgulhosa de seus êxitos, à custa da miséria dos excluídos... Arrependei-vos pois, enquanto podeis, pois sois apenas pó, lama de lodo corrompível, abominável... passais e não voltareis mais... Buscai o que não se troca pelo nada, o que não corrompe o espírito, o que não submete a alma à corrupção a que está necessariamente condenada esta nossa temporária natureza carnal...
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