Wednesday, 30 July 2008

Uma loucura de festival!






Basta pensar em sentir Para sentir em pensar. Meu coração faz sorrir Meu coração a chorar. Depois de parar de andar, Depois de ficar e ir, Hei de ser quem vai chegar Para ser quem quer partir. Viver é não conseguir. Fernando Pessoa, 14-6-1932




Festival de bonecos: olhos de cão azul!







venha brincar de fantoche comigo!!!!

meus olhos de cão não-azul ...


em todas as partes ...


Tuesday, 29 July 2008

Olhos de Cão Azul III










...


"Serei eu porque nada é impossível

Vários trazidos de outros mundos, e

No mesmo ponto espacial sensível

Que sou eu, sendo eu por "star" aqui."

Fernando Pessoa

Monday, 28 July 2008

Olhos de Cão Azul II


mudança

Sempre ausente




Todas as horas são passadas a pensar em nós...

5 Centimeters Per Second (秒速5センチメートル Byōsoku Go Senchimētoru?), subtitled "a chain of short stories about their distance." is a 2007 Japanese animated feature film by Makoto Shinkai.

O título 5 Centimetros por segundo vem da velocidade com que as flores das cerejeiras caiem, sendo uma representação metafórica da relação dos humanos, remenisciente da lentidão da vida e como as pessoas começam juntas mas acabam por desviar para caminhos diferentes.
As cerejeiras em flor chamam-se Sakura.

Sunday, 20 July 2008

fotos




A ouvir Peccatum - Lost in a Reverie (2004)

ombrinho à espera de tatuagem!

Saturday, 19 July 2008

kkkkkkkkkkkkkkkkkk

amo!

http://br.youtube.com/watch?v=2tdF6ziim7E

Friday, 18 July 2008

A velhice começa surgindo de dentro da mocidade ...


sexta pensante!







Olhos de cão azul

Gabriel García Márquez


Então olhou para mim. Pensava que olhava para mim pela primeira vez. Mas então, quando se virou por trás do abajur, e eu continuava sentindo sobre o ombro, nas minhas costas, seu escorregadio e oleoso olhar, compreendi que era eu quem a olhava pela primeira vez. Acendi um cigarro. Traguei a fumaça áspera e forte, antes de fazer girar a cadeira, equilibrando-a sobre uma das pernas posteriores. Depois disso a vi ali, como havia estado todas as noites, de pé junto ao abajur, me olhando. Durante breves minutos não fizemos nada mais que isto: olhar-nos. Eu, olhando-a da cadeira, equilibrando-me numa das pernas traseiras. Ela, em pé, me olhando, com uma das mãos, comprida e quieta, sobre o abajur. Via as pálpebras iluminadas como todas as noites. Foi então que lembrei o de sempre, quando lhe disse: "Olhos de cão azul". Ela me disse, sem tirar a mão do abajur: "Isso. Já não o esqueceremos nunca". Saiu da órbita suspirando: "Olhos de cão azul. Escrevi isso por todas as partes”.

Vi-a caminhar em direção à cômoda. Vi-a aparecer na lua circular do espelho, olhando-me agora no final duma ida e volta de luz matemática. Vi-a continuar me olhando com seus grandes olhos de cinza acesa: olhando-me enquanto abria uma caixinha revestida de nácar rosado. Vi-a passar pó-de-arroz no nariz. Quando acabou de fazer isso, fechou a caixinha e voltou a ficar em pé e andou novamente em direção ao abajur, dizendo: "Temo que alguém sonhe com este quarto e mexa nas minhas coisas"; e estendeu sobre a chama a mão comprida e trêmula, a mesma que estivera esquentando antes de sentar-se em frente ao espelho. E me disse: "Você não sente o frio". E eu lhe disse: "Às vezes". E ela me disse: "Você deve senti-lo agora". E então compreendi por que não tinha podido ficar sozinho na cadeira. Era o frio o que me dava certeza da minha solidão. "Agora o sinto", disse. "E é raro, porque a noite está quieta. Talvez o lençol tenha rodado". Ela não respondeu. Começou a se mexer em direção ao espelho e voltei a girar sobre a cadeira para ficar de costas para ela. Embora sem vê-Ia, sabia o que estava fazendo. Sabia que estava outra vez sentada diante do espelho, vendo minhas costas, que haviam tido tempo para chegar até o fundo do espelho, e serem encontradas pelo seu olhar, que também havia tido o tempo justo para chegar até o fundo e regressar antes que a mão tivesse tempo de iniciar a segunda virada — até os lábios que estavam agora pintados de carmim, da primeira virada da mão em frente ao espelho. Eu via, à minha frente, a parede lisa, que era como outro espelho cego, onde eu não a via sentada às minhas costas, mas imaginando onde estaria, se no lugar da parede tivesse sido colocado um espelho. "Estou vendo você", disse-lhe. E vi, na parede, como se ela tivesse levantado os olhos e me visto de costas na cadeira, ao fundo do espelho, com o rosto voltado para a parede. Depois vi-a abaixar as pálpebras, outra vez, e ficar com os olhos quietos no seu sutiã, sem falar. E voltei a lhe dizer: "Estou vendo você." E ela voltou a levantar os olhos do sutiã. "É impossível", disse. Eu perguntei por quê. E ela, com os olhos outra vez quietos no sutiã: "Porque você tem o rosto voltado para a parede". Então eu fiz girar a cadeira. Tinha o cigarro apertado na boca. Quando fiquei de frente para o espelho, ela estava outra vez junto do abajur. Agora tinha as mãos abertas sobre a chama, como duas asas abertas de galinha, sendo assada, e com o rosto sombreado pelos próprios dedos. "Acho que vou me resfriar", disse. "Esta deve ser uma cidade gelada”. Voltou o rosto de perfil e sua pele de cobre vermelho se tornou repentinamente triste. "Faça alguma coisa contra isso", disse. E ela começou a tirar a roupa, peça por peça, começando por cima; pelo sutiã. Disse-lhe: "Vou me virar para a parede". Ela disse: "Não. De todas as maneiras você vai me ver, como me viu quando estava de costas". Mal tinha acabado de dizer isso e já estava despida quase por completo, com a chama lambendo-lhe a comprida pele de cobre. "Sempre tinha querido ver você assim, com o couro da barriga cheio de buracos fundos, como se houvessem feito você a pauladas". E antes que eu me desse conta de que minhas palavras se tinham tornado torpes diante da sua nudez, ela ficou imóvel, esquentando-se na órbita do abajur, e disse: "Às vezes creio que sou metálica". Manteve o silêncio por um instante. A posição das mãos sobre a chama mudou levemente. Eu disse: "Às vezes, em outros sonhos, pensei que você é apenas uma estatueta de bronze num canto de algum museu. Talvez por isso sinta frio". E ela disse: "Às vezes, quando durmo sobre o coração, sinto que o corpo fica como um ovo, e a pele como uma lâmina. Então, quando o sangue me bate por dentro, é como se alguém me estivesse chamando com os nós dos dedos na barriga, e sinto meu próprio som de cobre na cama. É como se fosse assim como você diz: de metal laminado". Aproximou-se mais do abajur. "Teria gostado de ouvir você", disse. E ela disse: "Se alguma vez nos encontrarmos ponha o ouvido nas minhas costelas, quando eu dormir sobre o lado esquerdo, e me ouvirá ressonar. Sempre desejei que você alguma vez fizesse isso”. Ouvi-a respirar fundo enquanto falava. E disse que durante anos não tinha feito nada diferente disso. Sua vida estava dedicada a me encontrar na realidade, por meio dessa frase identificadora. "Olhos de cão azul." E na rua ia dizendo em voz alta, que era uma maneira de dizer à única pessoa que teria podido compreendê-la:

"Eu sou a que chega em seus sonhos todas as noites e lhe diz isto: olhos de cão azul". E ela disse que ia aos restaurantes e dizia para os garçons, antes de fazer o pedido: "Olhos de cão azul". Mas os garçons lhe faziam uma respeitosa reverência, sem que houvessem lembrado nunca ter dito isso nos seus sonhos. Depois escrevia nos guardanapos e riscava com a faca o verniz das mesas: "Olhos de cão azul". E nos cristais embaçados dos hotéis, das estações, de todos os edifícios públicos, escrevia com o indicador: "Olhos de cão azul". Disse que uma vez chegou a uma drogaria e percebeu o mesmo cheiro que tinha sentido no seu quarto uma noite, depois de ter sonhado comigo: "Deve estar perto", pensou, vendo a cerâmica limpa e nova da drogaria. Então se aproximou do vendedor e lhe disse: "Sempre sonho com um homem que me disse: "Olhos de cão azul". E disse que o vendedor a havia olhado nos olhos e dito: "Na verdade, moça, a senhora tem os olhos assim". E ela disse: "Preciso encontrar o homem que me diz isso nos sonhos". E o vendedor começou a rir e foi para o outro lado do balcão. Ela permaneceu olhando o ladrilho limpo do chão e sentindo o cheiro. E abriu a bolsa e se ajoelhou e escreveu com o batom sobre o ladrilho, com grandes letras vermelhas: "Olhos de cão azul". O vendedor regressou de onde se encontrava. Disse-lhe: "Moça, a senhora sujou o ladrilho". Deu-­lhe um pano úmido, dizendo: "Limpe-o". E ela disse, ainda junto ao abajur, que passou a tarde toda agachada, lavando o ladrilho e dizendo: "Olhos de cão azul", até que as pessoas se aglomeraram na porta e disseram que estava louca.

Agora, quando acabou de falar, eu continuava no canto, sentado, equilibrando-me na cadeira. "Tento me lembrar todos os dias da frase com que preciso encontrar você", disse. "Agora creio que amanhã não a esquecerei. Mas sempre esqueço ao acordar quais são as palavras com que posso encontrar você". E ela disse: "Você mesmo as inventou desde o primeiro dia". E eu lhe disse: "Inventei-as porque vi seus olhos cor de cinza. Mas nunca me lembro delas na manhã seguinte." E ela, com os punhos fechados junto ao abajur, respirou fundo: "Se pelo menos pudesse recordar agora em que cidade estive escrevendo isso".

Seus dentes apertados resplandeceram sobre a chama. "Eu gostaria de tocar em você agora", disse. Ela levantou o rosto que estivera olhando a luz: levantou o olhar ardente, assando-se também do mesmo jeito que ela, do mesmo jeito que suas mãos: e eu senti que me viu, no canto, onde continuava sentado, me balançando na cadeira. "Você nunca me tinha dito isso", disse. "Agora digo, e é verdade", disse. Do outro lado do abajur ela me pediu um cigarro. O toco tinha desaparecido dos meus dedos. Esquecera que estava fumando. Disse: "Não sei por quê, não posso lembrar onde o escrevi". E eu lhe disse: "Pela mesma razão pela qual eu não poderei lembrar as palavras amanhã". E ela disse, triste: "Não. É que às vezes creio que também sonhei isso". Fiquei em pé e andei até o abajur. Ela estava um pouco mais para lá, e eu continuava andando, com os cigarros e os fósforos na mão, e não passaria o abajur. Aproximei dela o cigarro. Ela o apertou entre os lábios e se inclinou para atingir a chama, antes que eu tivesse tempo de acender o fósforo. "Em alguma cidade do mundo, em todas as paredes, têm que estar escritas estas palavras: 'Olhos de cão azul", disse. "Se amanhã me lembrasse delas iria buscar você". Ela levantou outra vez a cabeça e já tinha a brasa acesa nos lábios."Olhos de cão azul", suspirou, recordando, com o cigarro jogado sobre o queixo e um olho semifechado. Aspirou a fumaça, com o cigarro entre os dedos, e exclamou: "Já isto é outra coisa. Estou me sentindo mais quente". E disse-o com a voz um pouco morna e fugidia, como se não o tivesse dito realmente, mas como se houvesse aproximado o papel à chama enquanto eu lia: "Estou entrando — e ela tivesse continuado com o papelzinho entre o polegar e o indicador, virando-o, enquanto ia se consumindo e eu acabava de ler — ­... mais quente", antes que o papelzinho se consumisse por completo e caísse ao chão amassado, diminuído, convertido num leve pó de cinza. "Assim, é melhor", disse. "Às vezes me dá medo ver você assim. Tremendo junto ao abajur".

Há vários anos nos víamos. Às vezes, quando já estávamos juntos, alguém deixava cair lá fora uma colherinha e acordávamos. Pouco a pouco íamos compreendendo que nossa amizade estava subordinada às coisas, aos acontecimentos mais simples. Nossos encontros terminavam sempre assim, com o cair de uma colherzinha na madrugada.

Agora, junto ao abajur, estava me olhando. Eu lembrava que antes também me havia olhado assim, desde aquele remoto sonho em que fiz a cadeira girar sobre as pernas traseiras e fiquei diante de uma desconhecida de olhos cinzentos. Foi nesse sonho que perguntei a ela pela primeira vez:"Quem é a senhora?" E ela me disse: "Não lembro". Eu lhe disse: "Mas acredito que nos vimos antes". E ela disse, indiferente: "Creio que alguma vez sonhei com o senhor, com este mesmo quarto". E eu lhe disse: "É isso. Já começo a lembrar". E ela disse: "Que curioso. É verdade que temos nos encontrado em outros sonhos".

Deu duas chupadas no cigarro. Eu estava ainda em pé em frente ao abajur, quando fiquei olhando para ela de repente. Olhei-a de cima a baixo e ainda era de cobre; mas já não de metal duro e frio, senão de cobre amarelo, macio, maleável. "Gostaria de tocar em você", voltei a dizer. E ela disse: "Você jogaria tudo por água abaixo", voltou a dizer, antes que eu pudesse tocá-la. "Talvez, se você se virar por trás do abajur, acordaríamos sobressaltados quem sabe em que parte do mundo". Mas eu insisti: "Não importa". E ela disse:"Se virássemos o travesseiro, voltaríamos a nos encontrar. Mas você, quando acordar, terá esquecido tudo". Comecei a me mexer em direção ao canto. Ela ficou por trás, esquentando as mãos sobre a chama. E eu ainda não estava junto da cadeira quando a ouvi falar às minhas costas: "Quando acordo à meia-noite, fico revirando-me na cama, com os fios do travesseiro ardendo no joelho e repetindo até o amanhecer: 'Olhos de cão azul'".

Então fiquei com o rosto na parede. "Já está amanhecendo", disse sem olhar para ela. "Quando deram duas da manhã, estava acordado, já fazia bastante tempo." Dirigi-me até a porta. Quando tinha pegado a maçaneta, ouvi outra vez sua voz igual, invariável: "Não abra essa porta", disse. "O corredor está cheio de sonhos difíceis". E eu lhe disse: "Como você sabe disso?" E ela me disse: "Porque há pouco estive ali e tive que voltar quando descobri que estava dormindo sobre o coração". Eu mantinha a porta entreaberta. Movi um pouco o batente, e um ar frio e tênue me trouxe um cheiro fresco de terra vegetal, de campo úmido. Ela falou outra vez, virei-me, mexendo ainda o batente montado em gonzos silenciosos, e lhe disse: "Creio que não há nenhum corredor aqui fora. Sinto o cheiro do campo". E ela,já um pouco longe, me disse: "Conheço isso mais do que você. O que acontece é que lá fora há uma mulher sonhando com o campo". Cruzou os braços sobre a chama. Continuou falando: "É essa mulher que sempre desejou ter uma casa no campo e nunca pôde sair da cidade". Eu lembrava ter visto a mulher num outro sonho anterior, mas sabia, já com a porta entreaberta, que dentro de meia hora tinha que descer para o café da manhã. E lhe disse: "De todas maneiras, tenho que sair daqui para acordar".

Lá fora o vento bateu um instante, ficou quieto depois, e ouviu-se a respiração de alguém adormecido que acabava de virar-se na cama. O vento do campo suspendeu-se. Já não houve mais odores. "Amanhã vou reconhecer você por isso", disse. "Vou reconhecê-la quando vir na rua uma mulher que escreva nas paredes: 'Olhos de cão azul'". E ela, com um sorriso triste — que já era um sorriso de entrega ao impossível, ao inatingível —, disse: "Não obstante, você não lembrará nada durante o dia". E voltou a pôr as mãos sobre o abajur, com a expressão obscurecida por uma névoa amarga: "Você é o único homem que, ao acordar, não se lembra nada do que sonhou".

Amado habitante!



Estou ansiosa para compartilhar isso com vc!!!!

Colóquio nacional "memórias póstumas de um gatinho rebelde"




Finalmente um evento de gatos no nosso país!!!!
E se vcs não sabem os gatos são animais idolatrados aqui no País do Caranguejo!!!
Neste colóquio serão discutidos assuntos rotineiros sobre o seu amado gato!
Para começar irei postar a foto do meu amado gatinho Pixote Rodrigues Soares, que faleceu ano passado com quase 16 anos de vida!
Vamos apreciar sua beleza!!!

e para quem tem fotos de gatinhos lindos e histórias para contar sobre estas amadas criaturas postem aqui!

beijinhos cheio de miadinhos e ronronados a todos!

Notícias

Recentemente foram dadas à costa grandes quantidades das mais variadas drogas. Assim que foram encontradas, rapidamente foram... :) ... distribuídas pela população!!!

Desde então que o país vive numa constante festa e por tal, não houve teatro na 3ª feira, como seria normal.

Deseja-se a todos, continuação de boas festas ;)

Saturday, 12 July 2008

Oceano

O oceano é um oceano mas,

Se o oceano fosse um mar,
eu apanhava um barco.

Se o oceano fosse um rio,
eu atravessava a ponte.

Se o oceano fosse um fiozinho de água
eu estendia-te a mão.

Mas o oceano é um oceano...

Friday, 11 July 2008

Thursday, 10 July 2008

sou ...

Sou um ser consciente de minha condição de decaída...
Busco uma verdade que já encontrei... Nunca vi meu reflexo num espelho... Minha imagem é um fantasma decadente... Tão pleno de obscuridades como um abismo... Penso em encontrar uma luz que meu olhar perdido nunca mirou verdadeiramente... Sei que a maioria dos homens pensam que se conhecem a si mesmos... Sei que a existência não é tão simples quanto pensam o comum dos homens... Sei que há mais mistérios que evidências sobre o Ser universal...Sei que ser homem no mundo é ser um poço de dúvidas, de confusão e buscas infindas... Sei que todos buscam uma felicidade e um sentido e uma verdade... Mas, por mais que pensem possuí-los, são todos os homens, na verdade mais inexorável e necessária, a mais pura miséria... o vazio e a incerteza são o seu conteúdo intrínseco... Sei que ainda um pouco e aqui estamos, e logo mais seremos pó e esquecimento...

Por isso luto com sofreguidão para alcançar um fundamento para minha exitência que seja atemporal, imutável, infinito, bom, e que verdadeiramente torne minha alma plena de felicidade, de confiança, de certeza, embora miserável ainda, mas apenas pelo tempo que me resta neste mundo... Sou aquela que caminha rastejante para Christo, e que embora O sinta demasiado distante de meu ser, nunca cessa de buscá-lo... pois sei que tudo tende para o nada, para a decadência do "não-ser", sou ciente da condição miserável do mundo mergulhado no tempo linear, e ainda mais da pobreza de todo homem, que vem a esse mundo sem saber por-que e para onde vai... e assim como veio ao acaso, também por acaso, de um para outro dia voltará para o nada de que veio... e ainda assim, têm a audácia de pensar que são o centro de si mesmos, são, ainda, uns escravos de suas vontades: a vontade de saber, a vontade de sentir e a vontade de dominar... Pobres diabos!!! Não há melhor adjetivação para essa raça de bípedes, maléficos desde sua meninice, sempre estribando-se em sua pérfida ciência de vaidades fúteis... Como esperam ainda que Deus compartilhe de sua história louca, de seus desvarios em busca de poder e felicidade... Tolos, não vêem um palmo à frento dos olhos e imaginam ver-se ao lado de Deus... Por isso digo... Ai dos fracos em meio à guerra vã dos homens insensatos... Mas ai, mais ainda, dos que pensam ser fortes e felizes em seu gozo ínfimo e temporal... Ai dos que vivem rastejando em busca do Redentor... mas infortunados são, mais ainda, os que se estribam em suas próprias forças e possibilidades e que imaginam-se autônomos e independentes... Pois somos todos fumaça levada pelo vento rápido do tempo... Como nuvens vivemos sendo para nunca chegarmos a ser... Que Christo tenha compaixão dessa geração má e rebelde, inxados de soberba, orgulhosa de seus êxitos, à custa da miséria dos excluídos... Arrependei-vos pois, enquanto podeis, pois sois apenas pó, lama de lodo corrompível, abominável... passais e não voltareis mais... Buscai o que não se troca pelo nada, o que não corrompe o espírito, o que não submete a alma à corrupção a que está necessariamente condenada esta nossa temporária natureza carnal...

Wednesday, 9 July 2008

dias que passam estranhos e vazios ...

Atravesso a ponte em busca de ti,
percorro mil léguas,
percorro o horizonte,
sem deixar de pensar,
que estás longe demais para te abraçar.

A distância que nos une,
é uma lágrima a cair,
é o coração a sorrir,
a distância que nos separa,
é o coração a partir.


Um amor que chega sem ser esperado
Que não pede permissão para entrar
Mas que invade o corpo inteiro
Como se dono fosse do meu ser
Um amor que vi aos poucos dentro de mim crescer!

Um amor que a distância não impediu
De aflorar na minha existência tão sem graça
Que me trouxe a alegria de estar viva
Que despertou a emoção adormecida!

Quando descobri que estavas em minha vida
Ah esse amor que chega a doer de tanta saudade
Que anseia em seus braços um dia ser aconchegada
Que sonha com seu rosto um dia acariciar


Talvez perdesse a esperança....
Mas eu sonho, e tenho esperança
Que um dia em nossas vidas vou lhe encontrar.

E esta distância nunca mais existirá.

Tuesday, 8 July 2008

São As Noites

Estou morto.

Que não te sintas enganada
pois conheceste-me morto,
morto,
morto para este mundo.

Não sei como pude ter a esperança
de sentir o meu coração bater,
se tudo o que trago nas minhas veias,
é pó e cinza.

Aí são manhãs, aqui, noites,
são as noites que são de agonia e de amargura,
nem de cansaço adormeço,
e é ver mais um nascer de sol perdido.

Passo as horas enevoado,
tal é a tristeza que me assola,
sabendo que existes,
mas tão longe.

Que não nos falte a tinta
para nos amargurar o resto dos nossos dias.

É a sina, a nossa triste sina.

Se, do palco, me vires na plateia, também me sorrirás?






The Big Sleep, 1946, de Howard Hawks, com Humphrey Bogart e Lauren Bacall.
imdb.com

62 anos depois, ainda roda nos nossos (meu) ecrãs.

Estou sujo. Ruído de piolhos.

mao morta
A Porcaria



Estou sujo. Ruído de piolhos. Os porcos, quando olham para mim, vomitam.
As crostas e pústulas da lepra escamaram-me a pele, coberta de pus amarelo. Não conheço a água dos rios nem o orvalho das nuvens. Na minha nuca, como num fumeiro, cresce um enorme cogumelo, de pedúnculos umbelíferos. Sentado num traste informe, não mexi os membros desde há quatro séculos. Os meus pés tomaram raiz no solo e compõem, até ao ventre, uma espécie de vivaz vegetação, cheia de ignóbeis parasitas, que não deriva ainda da planta mas que já não é carne. No entanto, o meu coração bate. Mas como poderia ele bater se a podridão e as exalações do meu cadárver (não ouso dizer corpo) não o nutrissem abundantemente?

Estou sujo. Ruído de piolhos. Os porcos, quando olham para mim, vomitam.
Na axila esquerda, uma família de sapos fez morada e quando um se mexe faz-me cócegas. Tomai cuidado, não vá fugir algum e que vá roçar com a boca o interior da vossa orelha!... Era capaz de depois vos entrar no cérebro! Na axila direita há um camaleão que lhes dá caça incessante para não morrer de fome: todos têm que viver! Mas quando uma das partes frusta completamente as manhas da outra, não encontram nada melhor que fazer do que não se incomodarem e chupam a delicada gordura que me cobre as costas. Já estou habituado.

Estou sujo. Ruído de piolhos. Os porcos, quando olham para mim, vomitam.
Uma víbora malvada devorou-me o pénis e tomou o seu lugar. Tornou-me eunoco, aquela infame! Oh, se eu tivesse podido defender-me com os meus braços paralisados... Mas creio antes que eles se transformaram em cavacos! Seja como for, importa constatar que o sangue já não vai lá passear a sua vermelhidão. Dois pequenos ouriços, que pararam de crescer, deitaram a um cão, que não recusou, o interior os meus testículos: a epiderme cuidadosamente lavada, meteram-se dentro dela. O anûs foi interceptado por um caranguejo: atravessaram as duas partes carnudas que formam o traseiro humano e, colando-se ao seu contorno convexo, esmagaram-nas tanto por uma pressão constante que os dois pedaços de carne desapareceram, ficando lá dois monstros saídos do reino da viscosidade, iguais na cor, na forma e na ferocidade.

Estou sujo. Ruído de piolhos. Os porcos, quando olham para mim, vomitam.
Não faleis da minha coluna vertebral, porque é uma espada. Sim... Sim, não estava a reparar!... A vossa pergunta tem toda a razão de ser! Desejais saber, não é verdade, como é que ela se encontra verticalmente implantada nos meus rins? Nem mesmo eu me lembro claramente. No entanto, se me decidir a tomar por recordação o que taçvez não passe de um sonho, sabei que o Homem, quando soube que eu tinha feito o voto de viver com a doença e a imobilidade até vencer o Criador, veio por trás de mim, na ponta dos pés... Mas não tão levemente que eu não o ouvisse! Não percebi mais nada durante um instante, que não foi longo. Aquele punhal afiado enterrou-se até ao cabo por entre as duas espátulas do touro da morte e a sua ossatura estremeceu como um tremor de terra. A lâmina adere tão fortemente ao corpo que ninguém até agora a conseguiu extrair. Os atletas, os mecânicos, os filósofos, os médicos, tentaram, cada um por si, os meios mais diversos. Não sabiam que o mal feito pelo Homem não pode mais ser desfeito!

Estou sujo. Ruído de piolhos. Os porcos, quando olham para mim, vomitam.


Transcrito do álbum Maldoror, dos Mão Morta.
Versão portuguesa e adaptação de Adolfo Luxúria Canibal a partir do texto original francês de Isidore Ducasse, O Conde de Lautréamont.

Saturday, 5 July 2008

hoje o dia amanhaceu tão triste...

noites desvairadas
noites não vividas
noites desperdiçadas
noites gastas
noites sonhadas e não vividas
noites horrorosas e devastadoras
tenho vivido tão cansada dessa minha vida ingrata.
passo mal de pensar nessa merda que fiz ontem.
cheirar ... cheirar ... cheirar ....
e não chegar a nada
merda de vício
que me faz ficar cada vez mais triste
decepcionada
revoltada
solitária
infeliz...
porque vivo?
ah...
se eu tivesse um botãozinho que me desligasse
já estaria desligada ...


preciso de alguém pra me fazer feliz
mas ao pensar nisso
quase me mato
pois descobri que esta pessoa existe
... e está tão longe de mim
que chega a doer

como é estranho o verdadeiro amor pra os loucos!!!!

Friday, 4 July 2008



Década de 1920, estudos de filosofia em Paris, Simone de Beauvoir, de formação católica, preservava relações de amizade com um grupo de estudantes certinho enquanto dirigia olhares a um estranho e hermético trio que encontrava por corredores e bibliotecas, composto por Jean-Paul Sartre, Paul Nizan e René Maheu - alunos irreverentes, de má reputação.
A amizade com Maheu foi a ponte para a futura união com Sartre. Um belo dia, Maheu entregou a Simone um desenho que Sartre lhe dedicara: "Leibniz no banho com as mônadas"; era um convite para a aproximação. Tempos depois, a jovem, cujo desejo de fuga do lar paterno era premente, entra no enevoado quarto de Sartre para estudar Leibniz com o trio de aspirantes a intelectuais. Findos os últimos exames, em 1928, Maheu retorna à província da casa paterna, Chega a vez de Sartre, que diz à Simone: "a partir de agora, tomo conta de você." Depois disso, ela passou a achar que todo o tempo que não passasse na companhia da brilhante inteligência de Sartre era tempo perdido.
Enquanto Simone se debatia com o que ainda lhe restava de formação espiritualista, Sartre buscava, por meio da literatura, uma outra forma de salvação: a sobrevida por meio da existência para o outro, seus leitores. O sentido de sobrevivência literária era para ele uma espécie de decalque da religião cristã. Assim, em seus conflitos íntimo, Simone e Sartre estavam mais próximos do que a aparência de moça bem-comportada e de rapaz iconoclasta poderia deixar transparecer.
A viagem é um traço marcante na vida de constantes descobertas que esse casal de intelectuais faz a respeito de si, a respeito do mundo, a respeito da função da escritura no mundo. Além de companheira de passeios de bicicleta pela França, Simone converteu-se em leitora crítica e interlocutora indispensável para a produção de toda a obra literária e filosófica de Sartre, enquanto este foi incansável incentivador, conselheiro técnico e temático da também extensa obra de Simone.
Embora nunca tenham vivido na mesma casa, e embora alguns de seus casos paralelos tenham durado anos, como de Simone com o escritor norte-americano Nelson Algren e o de Sartre com Dolores Vanetti, nenhum deles chegou a perturbar a estabilidade da união central. Apenas a morte do companheiro, em 1980, segundo Simone, marcaria a ruptura definitiva da união de 52 anos; diz ela no prefácio de A cerimônia do adeus: "você está enclausurado; não sairá daí e eu não me juntarei a você: mesmo que me enterrem ao seu lado, de suas cinzas para meus restos não haverá nenhuma passagem.

Thursday, 3 July 2008

Debaixo da mesa, ninguém vê os nossos pés a tocarem-se



Sessão de cinema:

Bin-jip (3 Iron) de Ki-duk Kim, 2004 - Korea
imdb.com

Tuesday, 1 July 2008

+++++++++



Artirania





nesta terça-feira tem apresentação teatral no nosso país!

A peça Artirania é um estilo de teatro do absurdo, onde os atores de forma experimental surpreendem o público de forma grotesca e irreverente.

As coisas tristes e boas da vida ...


Carta de suicídio (a Leonard Woolf)

"Querido,

Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer. Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que depositei em você toda minha felicidade. Você sempre foi paciente comigo e incrivelmente bom. Eu queria dizer isto - todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim mas o que ficará é a certeza da sua bondade. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais.

Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.

V."