Lembro-me que as primeiras imagens do sonho eram as paisagens urbanas do caminho para a minha casa. Era o fim da tarde e apresava-me antes do pôr final do sol. Estranhamente, perdi a vontade de ir para casa, até que comecei a andar por uma cidade que não era a minha, entre sombras passavam nas paredes de ruas perpendiculares.
Deixei-me ficar numa ruela que dava para uma intersecção.
A noite caía e aos poucos as luzes acendiam-se.
Continuava sem força nem vontade para chegar a casa. Esta sensação era cada vez menos estranha e sentia-me confortável por estar ali sozinho, parado, à espera.
Até que me pareceu ver a tua sombra numa daquelas paredes.
Como te reconheci a sombra, não sei, mas decidi-me a correr atrás de ti.
Ainda corri bastante tempo atrás de ti, e tu, a andares e sem te virares, continuavas sem me ter a percalço. Eventualmente, o meu corpo desistiu e apenas conseguia andar. Perdi-te de vista, mas continuei a andar. Já não estava na cidade e lembro-me dos campos à volta terem ervas de talos enormes, bastante selvagens.
As luzes, como é normal, já não iluminavam mais que alguns intervalos da estrada.
Lembro-me que me apetecia fumar um cigarro, mas por coincidência, ontem, na vida real, tinha deixado de fumar.
Parei para planear o que fazer, e comecei a pensar na minha casa. Quis voltar para casa, mas estava perdido. Tentei voltar, e algures, já não reconhecia nada que me fosse familiar.
Dei por perdida a noite, e tentei encontrar um sitio onde pudesse esperar pela manhã.
Ao fundo via-se umas luzes ténues e algumas sombras que pareciam blocos gigantes rectangulares. Pensei num armazem de alguma coisa grande. Parecia seguro e sem alma.
Aproximei-me, entrei no recinto (não havia obstáculos) e procurei alguma coisa mais confortável que o chão e metal.
Eis que oiço a tua voz e de repente estavas ali, no meio duma reunião dalguma especie.
Várias pessoas (aliás as suas sombras) rodeavam um dos blocos de metal no centro.
De copo na mão parecias que te estavas a divertir.
Sem saber o que fazer, fui andando ao teu encontro até tu te aperceberes que eu estava ali. Comprimentaste-me com a maior naturalidade, e começamos a falar até não restar mais ninguém à volta do grande bloco central. Falamos dos nossos planos que haviamos feito, das viagens e dos lanchinhos que queriamos fazer por todo o mundo.
Falamos dos filmes, de música e bastante do trabalho que nos preenchia o tempo.
Aos poucos fomos ficando mais silenciosos, lembro-me de ver reflectida a minha solidão em ti. Eventualmente, perguntei-te se querias vir comigo. Para meu contentamento, sorriste com o teu sorriso lindo, e fomos.
Antes que saissemos do recinto, algumas pessoas vieram falar ora contigo ora comigo, e parecia impossível andar um metro que fosse. Sem pararem de chegar e partir, estamos incapazes de sair dalí.
Sem tardar, encontrei-me à espera, enquanto te aborreciam com um longo e fastidioso monólogo. Sem saber o que fazer, acordei.
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2 comments:
Óh Pedro!
Mas que sonho!!!
Até imaginei as cenas acontecendo!
Quanta saudade de vc!
foi lindo o sonho! acho q foi por ter tantas saudades tuas!
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